24 Junho de 1652<br>– Cavalhadas de Vildemoinhos
Reza a história que em 1652 os moinhos existentes ao longo do rio Pavia estavam parados, porque a água do rio não corria. A responsabilidade seria dos agricultores, que para proverem às suas necessidade de rega fizeram açudes e represaram a água. Ora os trambelos (habitantes de Vildemoinhos) também precisavam da água para os moinhos que moíam os cereais na aldeia. O diferendo originou tumultos vários. Sem resolução à vista, os moleiros, na noite de São João, a pretexto de o festejarem, reuniram-se pela madrugada na capela de São João da Carreira, rogando-lhe que desse ao Pavia um volume de água suficiente para todos. Pelo sim pelo não, foram também rio acima e destruiram os açudes, pondo de novo a água a correr. Os agricultores reclamaram ao juiz do povo, mas as autoridades acabaram por dar razão aos moleiros. A partir de então, na noite de 23 para 24 de Junho, o povo passou a festejar para agradecer ao santo. A tradição mantém-se até hoje, com as cavalhadas e com a festa na freguesia. As cavalhadas evoluíram, de um cortejo de gente de Vildemoinhos que ia à cidade de Viseu com animais e carroças engalanadas, para o desfile de carros alegóricos, bombos, cabeçudos, gigantones, fanfarras, bandas, ranchos folclóricos e outros espectáculos, onde não falta a sátira política e social.